Grupo de 70 pessoas que queria viajar de navio é vítima de golpe em Santos

Pacote de viagem foi comprado há um ano; empresa de turismo não fez reservas

Pacote pago, malas prontas e família empolgada. Estava tudo certo para a viagem, mas na última hora um grupo de 70 pessoas de Santos percebeu que era vítima de um golpe. Elas iriam fazer um cruzeiro, neste fim de semana, mas descobriram que a agência não reservou os lugares.

“O sentimento é de revolta e frustração. Seria a primeira vez do meu enteado e da minha nora (num cruzeiro). Mas o pior são minhas duas netas. A mais nova (5 anos) falou: ‘Vovó, você mentiu pra mim’”, lamenta Nair de Almeida Lopes.

A família dela e alguns amigos compraram, há um ano, um pacote para passar o fim de semana em alto-mar, a bordo do MSC Preziosa na M&M Consultoria em Viagens, com sede em Santos. Pagaram R$ 5,6 mil por duas cabines, em dez vezes no cartão.

Faltando um mês para embarcarem, Nair diz que começou a cobrar os vouchers (comprovantes para embarque) do responsável pela agência. Ele, no entanto, sempre dava uma desculpa. “Dizia que deu um probleminha no sistema. Na quinta da semana passada dei o xeque-mate, e foi então que descobri que caímos em um golpe”, conta.

Regina da Costa Corrêa é outra vítima. Ela e mais sete pessoas – entre filhos, noras e amigos – planejaram a viagem um ano atrás. Todo mês, eles pagavam a fatura do cartão de crédito, onde vinha debitado um valor em nome da MSC.

“Foi muito chato, porque eu convidei uma pessoa que nunca tinha viajado. E aí, com que cara a gente fica?”, lamenta.

Ela diz ainda que costumava viajar com a M&M e que nunca teve problemas. Regina pressionou o dono da agência e conseguiu reaver o dinheiro. “Prejuízo financeiro eu não tive, mas como pode a gente pagar para a MSC e o dinheiro ser usado para outra coisa?”, questiona.

E agora?

Segundo o coordenador do Procon de Santos, Rafael Quaresma, o Código de Defesa do Consumidor menciona que, embora a venda tenha sido feita pela agência M&M, a MSC é solidária perante o consumidor e deve procurar uma solução para o problema, como a devolução da quantia paga.

Quaresma afirma que, se os consumidores, ainda assim, se sentirem lesados, podem recorrer à Justiça. “O dano moral pode se verificar em um caso como este. Então, cabe o ajuizamento de uma ação. Mas aí o juiz vai analisar caso a caso e, se caracterizando o dano moral, ele determina um valor para cada uma das vítimas”, explica.

Respostas

A Reportagem procurou a M&M Consultoria em Viagens, mas a página da agência foi apagada do Facebook.

A MSC Cruzeiros alega ter sido “surpreendida com informações a respeito de hóspedes que teriam realizado reservas inexistentes por meio de uma agência de viagens que está descredenciada junto à companhia desde abril de 2016” e que “os passageiros tiveram suas reservas confirmadas e o caso foi solucionado”.

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FONTE: A TRIBUNA ONLINE

 

Como evitar golpes de agência de turismo

Alguns cuidados ajudam a minimizar os riscos de problemas com agências de turismo como o dos consumidores lesados pela agência de viagens Trip & Fun, que pode ter aplicado golpe em seis mil passageiros. Eles pagaram por pacotes turísticos para vários países e não estão conseguindo viajar.

A PROTESTE Associação de Consumidores alerta que as formas de reduzir esse risco é não pagar todo o pacote com antecedência, e monitorar a empresa, se informando sobre queixas em entidades de defesa do consumidor e em redes sociais. Caso constate reclamações não atendidas o consumidor deve ficar alerta, pedir cancelamento do contato o quanto antes, e o dinheiro de volta.

Mesmo que o consumidor cancele o pacote no dia da viagem ele deve receber o valor pago como adiantamento. Em regra, o consumidor não deve pagar multa, se a desistência for por falha na prestação de serviços. Até porque a agência de turismo poderá providenciar sua substituição por outro participante no pacote, nas mesmas condições contratadas. A legislação do turismo proíbe a cobrança de multa caso o consumidor cancele o pacote 45 dias antes da data da viagem, sem qualquer justificativa ou precaução adicional.

Quando há golpes ou a falência da empresa o que deveria ser lazer acaba se transformando em caso de polícia, com os desgastes de se registrar Boletim de Ocorrência e todos os transtornos para tentar recuperar os prejuízos sofridos. Nesses casos é difícil e demorado recuperar o investimento, mesmo judicialmente.

No caso da agência de viagens Trip & Fun a polícia de São Paulo abriu inquérito para investigar o caso como estelionato depois que um grupo de vítimas registrou um boletim de ocorrência, em São Bernardo do Campo. A viagem do dia 30 de junho foi cancelada e remarcada para o dia 2 de julho, mas também não ocorreu, segundo relato das vítimas à polícia.

A empresa de São Paulo pode ter aplicado golpe em seis mil passageiros, que haviam comprado pacotes turísticos para Disney (Estados Unidos), Bariloche (Argentina), Cancun (México), Florianópolis, Sauípe e Atibaia (São Paulo). Os três escritórios da empresa em São Paulo estão fechados.

Solicitar informações para quem já utilizou os serviços da empresa nem sempre previnem problemas, pois no caso dessa agência, por exemplo, até o ano passado vinha cumprindo os contratos de forma satisfatória. A Trip & Fun é filiada à Associação Brasileira de Viagens.

Não aparece o nome da empresa no cadastro do Ministério do Turismo onde podem ser consultados os prestadores de serviços turísticos com cadastro regular e os serviços que oferecem: www.cadastur.turismo.gov.br